Impresso em: 05/09/2010 08:46:40
Fonte: http://www.abrajet-to.com.br/nota.php?l=1db2a38d003f4548c80d1674884eb8e3

O mineiro é um trem danado de bão

23/11/2009 18:24:59

Janete Monteiro
Igrejinha da Pampulha
<div style="text-align: justify">Em viagem a Minas, descobri que Belo Horizonte &eacute; muito mais que um bela vista no horizonte. Na visita ao mirante da cidade, localizada na pra&ccedil;a do papa, tem-se uma vis&atilde;o panor&acirc;mica e privilegiada da capital mineira( Tive essa vis&atilde;o &agrave; noite e o efeito &eacute; espetacular), visitei a Lagoa da Pampulha, a Igreja S&atilde;o Jos&eacute; e percorri a p&eacute; um bom trecho do cora&ccedil;&atilde;o da cidade: a avenida Afonso Pena. Mas, apesar de tudo isso, o melhor de BH, certamente, &eacute; o mineiro. Uma gente alegre, simp&aacute;tica e, sobretudo, prestativa, que deixa seus afazeres para servi-lo em qualquer situa&ccedil;&atilde;o. <br /> <br /> Eh, gente boa, s&ocirc;! Fui ciceroneada por pessoas super simp&aacute;ticas que n&atilde;o me conheciam pessoalmente, mas me receberam como se f&ocirc;ssemos amigos de longa data. Sa&iacute;mos no primeiro dia, eu e Silvia - minha anfitri&atilde;, passeando pela cidade, conhecendo pontos famosos como o Barro Preto e o Mercado Central da cidade. No t&aacute;xi de volta, para nossa surpresa, o motorista era um cantor e j&aacute; foi logo apresentando seu trabalho e, nos surpreendendo com uma palhinha dentro do t&aacute;xi mesmo. A m&uacute;sica n&atilde;o era nenhum primor, mas foi divertido e sua aten&ccedil;&atilde;o me conquistou. A letra da m&uacute;sica retratava o orgulho de ser mineiro e a beleza da chamada &ldquo;estrada real&rdquo;, que passa por Ouropreto-Sabar&aacute;-Mariana-S&atilde;o Jo&atilde;o Del Rey-Tiradentes. Uma gracinha! Claro que acabei comprando um CD.<br /> <br /> &Agrave; noite, os meus anfitri&otilde;es foram Bernadete (a Bern&aacute;, irm&atilde; de Silvia), seu marido Chico, e os filhos do casal: o esperto Filipe e a doce Clarisse, que me levaram para passear e mostrar a cidade, j&aacute; toda enfeitada pelas luzes de natal. No dia seguinte, eu, acompanhada por Bern&aacute; e Chico, fui conhecer o verdadeiro boteco mineiro: o lugar chamava-se Via Cristina, um bar e Cacha&ccedil;aria que faz sucesso na noite belo horizontina, desde 1989. Uma ma-ra-vi-lha! Mas o melhor estava por vir. O Via Cristina participou e obteve boa coloca&ccedil;&atilde;o no Festival &ldquo;comida de boteco&rdquo; de 2004 e 2005 com o prato formado por farofa de torremos, mandioca frita e um fil&eacute; ao ponto, fatiado. &Ocirc; trem b&atilde;o, gente! Falei pro dono do boteco que tinha alguma coisa errada com a comiss&atilde;o julgadora pois aquele prato n&atilde;o tinha como n&atilde;o ser 1&ordm; lugar do concurso. Pra mim, oh, nota 10. Ele sorriu agradecido.<br /> <br /> Na segunda-feira, como era dia de semana, ou &ldquo;dia de branco&rdquo;, os novos amigos n&atilde;o puderam continuar me acompanhando no roteiro tur&iacute;stico e resolvi me aventurar sozinha pela capital mineira.<br /> <br /> Escolhi sair de &ocirc;nibus para conhecer melhor os nativos e observar com mais aten&ccedil;&atilde;o os locais. Tomei um &ocirc;nibus na rua Afonso Pena. Fui at&eacute; o ponto acompanhada pela L&uacute;cia, uma simp&aacute;tica jovem secret&aacute;ria da casa em que eu estava hospedada, e que fez quest&atilde;o de me colocar no transporte e me recomendar ao motorista: parecia que eu era uma crian&ccedil;a. No in&iacute;cio achei engra&ccedil;ado, depois fui percebendo que era costume mineiro as boas recomenda&ccedil;&otilde;es. <br /> <br /> O meu destino era a Igrejinha da Pampulha, obra famosa de Niemeyer. Ao indagar uma passageira sobre o local exato da descida, ela prontamente, entre muitos &ldquo;uia s&ocirc;&rdquo;, foi falando da cidade, me dando dicas e indicando o ponto exato em que deveria descer.<br /> <br /> Ao chegar ao monumento, como todo turista, queria fotos. E como estava sozinha tive que pedir para algumas das pessoas pr&oacute;ximas que fizessem a foto ao lado do jardim de Burle Max, localizado em frente &agrave; Igrejinha. Nesta intera&ccedil;&atilde;o, conheci um grupo de nordestinos de alma totalmente mineira (alguns moram em BH h&aacute; muito tempo) que ap&oacute;s fazer uma s&eacute;rie de fotos minhas me ofereceram para me deixar num ponto de &ocirc;nibus mais pr&oacute;ximo daquele que eu precisava ir. Aceite de pronto e a&iacute; formou-se uma amizade com Marcos, Karla e outros mais. Eles foram nota 10.<br /> <br /> Descobri com eles a beleza do Mineir&atilde;o, do Mineirinho e passeamos pelas ruas da UFMG. Um conjunto de pr&eacute;dios arrojados cheio de gente jovem e bonita. L&aacute;, me despedi do grupo e me embrenhei em outro &ocirc;nibus, (que passava pela Avenida Ant&ocirc;nio Carlos) orientada por um dos estudantes que estava na parada. Era hora do almo&ccedil;o e a lota&ccedil;&atilde;o estava daquele jeito. No trajeto, um rapaz, aluno do curso de engenharia el&eacute;trica, disse que eu ia descer no centro, pr&oacute;ximo &agrave; rua Esp&iacute;rito Santo. Educadamente, claro, tratou de me recomendar a uma colega do curso de Biologia, que estava sentada ao lado, e que ira descer na mesma parada que a minha. Ela, com um largo sorriso, me ajudou prontamente. Com a aten&ccedil;&atilde;o de tanta gente, n&atilde;o tive d&uacute;vidas: o melhor de BH era o mineiro.<br /> <br /> O percurso de volta durou uns 25 minutos e de l&aacute; foi f&aacute;cil e divertido chegar ao local onde eu estava hospedada e onde, para minha felicidade, me esperava um dos meus pratos preferidos e representativos da culin&aacute;ria mineira: frango com quiabo e angu. Foi um prazer gastron&ocirc;mico inenarr&aacute;vel. Exagerei tanto que, no dia seguinte, no caf&eacute; da manh&atilde;, s&oacute; consegui tomar suco de lim&atilde;o. <br /> <br /> Olha pessoal, ap&oacute;s sentir e conhecer um pouco das Minas Gerais s&oacute; posso encerrar esse meu di&aacute;rio de viagem com nota acima de 10 para BH e, para os mineirinhos de nascen&ccedil;a e de cora&ccedil;&atilde;o: nota 1000.<br /> <br /> <br /> &nbsp;</div>