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Fonte: http://www.abrajet-to.com.br/nota.php?l=d77c2d2dda03fb6dbf72aa9e1295f0ca

Noronha em minha vida

23/11/2009 21:39:47

Maria Arienar
Morro dois Irmãos
<div style="text-align: justify">M&ecirc;s que vem faz dois anos da minha primeira viagem para Fernando de Noronha. Digo primeira porque pretendo voltar. De l&aacute; para c&aacute;, fico sonhando e alimentando a vontade de reviver aqueles dias tranq&uuml;ilos e belos. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que dizem que Am&eacute;rico Vesp&uacute;cio afirmou, ao descobrir o arquip&eacute;lago em 1503: &quot;O para&iacute;so &eacute; aqui!&quot; <br /> <br /> Suas belezas naturais s&atilde;o extasiantes. O morro Dois Irm&atilde;os todo mundo conhece por foto desde pequeno. Aquela paisagem era familiar, pois figurava na capa dos nossos cadernos escolares, desde o jardim da inf&acirc;ncia. Por isso, &eacute; duplamente m&aacute;gico v&ecirc;-los de pertinho. Mais m&aacute;gico ainda &eacute; conseguir um guia como aquele que conseguimos que eu denominei de &ldquo;o talentoso&rdquo; pois nos surpreendia a cada momento com fotos produzid&iacute;ssimas, tipo aquelas que voc&ecirc; parece voar, parece segurar um coco, e por a&iacute; vai. Marinheira de primeira viagem, claro, achei tudo lindo!<br /> <br /> A pequena Vila dos Rem&eacute;dios &eacute; a hist&oacute;ria viva . As constru&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rias preservadas fazem o principal n&uacute;cleo urbano da ilha parecer um cen&aacute;rio de cinema. O centro hist&oacute;rico cresceu nos arredores da igreja de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios, constru&iacute;da em 1772, pelos portugueses, e tombada pelo Iphan. A vila abriga ainda a sede da administra&ccedil;&atilde;o da ilha - o Pal&aacute;cio de S&atilde;o Miguel, onde &eacute; claro todo mundo faz aquela pose para a posteridade.<br /> <br /> Mas nem s&oacute; de hist&oacute;ria vive a Ilha. O forr&oacute; do Cachorro &eacute; a maior anima&ccedil;&atilde;o. Pena que n&atilde;o pude curti-lo de puro cansa&ccedil;o das andan&ccedil;as do dia.&nbsp;No entanto,&nbsp;conheci o Cachorr&atilde;o, dono do bar que usava coleira e fazia au, au, quando o turista se aproximava dele. Primeiro a gente se assustava, claro, depois relaxava sorrindo junto com ele. Eu vivi t&atilde;o intensamente aqueles dias em Noronha que as noites eram curtas demais. <br /> <br /> Visitei o mar de dentro e o mar de fora, como chamam os guias. Bacana, hein! Fiquei repetindo comigo: mar de dentro, mar de fora... E, fui engolida pelas 7 ondas! Pensei que ia morrer n&atilde;o fosse me sustentar no bra&ccedil;o forte do guia. O neg&oacute;cio &eacute; o seguinte: quando voc&ecirc; vai entrar, o guia avisa do perigo, voc&ecirc; ouve, mas.... n&atilde;o escuta. &Eacute; isso memso. E, l&aacute; se vai mar adentro. Quando voc&ecirc; est&aacute; no maior love com o mar, elas come&ccedil;am. S&atilde;o 7 ondas seguidas. E, o pior, depois que elas come&ccedil;am n&atilde;o adianta mais querer sair. E, a&iacute;, &eacute; um deus nos acuda. O cora&ccedil;&atilde;o parece que vai sair pela boca de tanto medo de morrer. Quando o sufoco acaba, s&oacute; nos resta sorrir e pensar: mais uma de Noronha pra eu contar pros meus amigos.<br /> <br /> Um dia fizemos o percurso de carro pelo interior da Ilha e todas as praias, no outro fomos de barco ao redor da Ilha, olhando aquele relevo exuberante. No terceiro dia, foi a vez do gostoso banho na praia no Sueste, ou Ba&iacute;a do Sueste, &uacute;nica permitida para banho naquela &eacute;poca do ano. Era dezembro de 2007. Uma nativa, que se aproximou do nosso grupo, ainda avisou. - N&atilde;o se assustem se aparecer um tubar&atilde;o. E, era verdade. Os tubar&otilde;es que andam pela Ba&iacute;a do Sueste est&atilde;o sempre de barriga cheia. <br /> <br /> Minha m&atilde;e adorou e n&atilde;o queria sair da &aacute;gua por nada, s&oacute; teve medo de fazer o banho de snorkel que dizem,( e eu concordo) &eacute; o mais prazeroso de todos. O guia te orienta a us&aacute;-lo e mergulha junto com voc&ecirc;, segurando pela m&atilde;o. De olhos bem abertos o turista observa o fundo do mar com seus peixes e plantas multicores. &Eacute; um passeio sensacional. <br /> <br /> O arquip&eacute;lago abriga centenas de esp&eacute;cies de fauna e flora, protegidas pelo Parque Nacional Marinho, criado em 1988 e administrado pelo IBAMA.Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; por isso que o local &eacute; encantador. Os nomes dos pontos tur&iacute;sticos s&atilde;o um destaque a parte: farol da Sapata, buraco da Raquel e costa da Esmeralda. Contam que o buraco da Raquel recebeu este nome porque Raquel era a filha de um comandante que fugia para o local com um amante a cada dia, nas horas em que a mar&eacute; baixava. E quem vai saber n&eacute;?<br /> <br /> Localizado em pleno Oceano Atl&acirc;ntico, a mais de 500 quil&ocirc;metros da costa brasileira, o arquip&eacute;lago com suas 21 Ilhas, pertence ao governo do Estado de Pernambuco que mant&eacute;m um rigoroso controle de visitantes e cobra, pela perman&ecirc;ncia em terra, uma taxa de Preserva&ccedil;&atilde;o Ambiental, que &eacute; calculada de acordo com o n&uacute;mero de dias de estada. Assim, Noronha consegue conciliar a conserva&ccedil;&atilde;o da sua biodiversidade com a explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel do turismo, hoje a principal fonte de renda local. <br /> <br /> Muitas pousadas da ilha funcionam nas resid&ecirc;ncias dos moradores. Assim, voc&ecirc; pode compartilhar os dias com os nativos e ter um conhecimento maior da vida no local. <br /> <br /> Ah! que del&iacute;cia viver um pouquinho a vida tranq&uuml;ila daqueles brasileiros. Saudosamente, volta e meia lembro da viagem, do quanto &eacute; bonito o trabalho de preserva&ccedil;&atilde;o por l&aacute;. E uma coisa &eacute; certa: Quero voltar para ver novamente a vista da praia do Boldr&oacute;, uma das mais lindas do mundo; e at&eacute; brincar com as centenas de mabuias - r&eacute;ptil parecido como uma lagartixa que est&aacute; em todos os lugares: no quarto, na sala, no bar, na praia. No in&iacute;cio voc&ecirc; tem receio, depois se acostuma e acaba se afei&ccedil;oando ao bicho e tirando fotos com ele.<br /> <br /> Com tanta exuber&acirc;ncia natural, &eacute; dif&iacute;cil acreditar, como dizem, que Fern&atilde;o de Noronha, comerciante portugu&ecirc;s que financiou a expedi&ccedil;&atilde;o de Am&eacute;rico Vesp&uacute;cio, e que depois recebeu o arquip&eacute;lago da coroa portuguesa como pagamento, nunca pisou no local que at&eacute; hoje carrega seu nome. Pior! Ele n&atilde;o sabe o que perdeu.<br /> <br /> &nbsp;</div>