Janete Monteiro
café da manhã piauiense
No interior do Estado, mais precisamente em São João do Piauí, a 485 km ao Sul de Teresina, o turista pode comprovar e desfrutar das belezas naturais e da hospitalidade do piauiense interiorano. São João goza do privilégio de ser vizinha do internacional sítio arqueológico da Serra da Capivara, de ter uma barragem no rio Piauí e ser considerada a Terra da Uva. Não é pouco não. Sem contar com uma gente hospitaleira que só indo lá para comprovar.
A hospedagem na casa do Seu Zé Foba foi uma satisfação para o espírito e, principalmente, para o meu paladar, saudoso das comidas da terrinha. (Zé Foba é apelido de seu José de Oliveira, pai da minha amiga Margarete, carinhosamente conhecida por Gueta.) Quase todo mundo leva um apelido criativo, e muitas vezes divertidos, por aquelas paragens. Lá, pude sentir também o prazer de sua família em nos receber na passagem para a Serra da Capivara, localizada no município vizinho de São Raimundo Nonato, a 30 km de São João.
No café da manhã, o puro sabor do nordeste é o despertador do dia. Não tem quem fique na cama com aquele cheiro no ar de beiju, cuscuz, carne assada... Pude apreciar e atiçar o meu paladar nordestino com iguarias como bolo de sal, de doce, requeijão, cuscuz, beiju e carne de sol de bode, preparados especialmente pela Dona Gessy e pela Raimunda que mora na casa há mais de 20 anos. O cardápio é uma viagem de volta a nossa infância. Minha vó Amália, gostava de fazer requeijão, doce e bolo pra todos os netos e, se eu chegasse bem depois, ela tinha sempre guardado o meu pedaço. Vó que é vó faz assim. Nasci e cresci no Piauí (morava em Teresina e passava férias em Monsenhor Hipólito). Vivi orgulhosamente essa realidade interiorana das comidas típicas, simples, saborosas e bem feitas pelas nossas mães, tias e avós. Incrível como o cheiro e sabor ficam registrados na alma.
No primeiro dia, rumo a Serra da Capivara, eis que seu Zé Foba, homem prevenido, nos chega com uma garrafa térmica enorme, cheia de água de coco. Foi a nossa salvação, na caminhada pela caatinga, quando nos embrenhamos Serra à dentro para ver as pinturas rupestres do sítio arqueológico. Prepare-se, o sol do Piauí não é lenda, não!
De volta pro almoço em São João, a sensação gastronômica não foi diferente. Saboreamos galinha caipira e carne de bode. Esta eu não dispensava, por nada, principalmente depois de ouvir do seu Zé que é a melhor da região. Hum!!! Foi realmente de encher os olhos e a boca.
Pontos Turísticos
No segundo dia, curtimos um pouco a beleza de São João. Fomos conhecer a barragem do Jenipapo, no Rio Piauí, uma das maiores do Estado e o maior atrativo turístico da região. Tem capacidade para 280 milhões de metros cúbicos de água e proporciona uma visão linda para os moradores que escolhem o lugar para curtir e se refrescar de um calorão que, em agosto, atinge temperaturas altíssimas.
Em meio ao agreste piauiense, São João, pasmem... desponta como a terra da uva. A fruta é cultivada por mais de 200 famílias do Assentamento Marrecas. Duas espécies de uva são plantadas na região: benitaka e itália melhorada. A partir dos excelentes resultados em colheita e qualidade da fruta, o Governo do Estado e instituições que fomentam o desenvolvimento sócio-econômico na região pretendem transformar o município num pólo de fruticultura. São colhidas três safras anuais de 60 toneladas cada. A expectativa é de que a área plantada cresça para 900 hectares nos próximos anos e produza também outras frutas. Os técnicos da área garantem que São João do Piauí possui todas as condições necessárias para o desenvolvimento da fruticultura irrigada: solo fértil, água e orientação técnica. O II Festival da Uva de São João do Piauí será realizado de 28 a 31 de janeiro de 2010.
História
O local onde hoje está instalada a cidade de São João do Piauí era uma fazenda que pertencera a Domingos Afonso Mafrense, intitulada Malhada do Jatobá. A cidade está localizada na região sudeste do Estado do Piauí, às margens do Rio Piauí. São João tem sua economia concentrada na agricultura familiar, na pecuária e mais recentemente no comércio, sendo assim uma das cidades mais importantes do sul do Estado.
Autor: Janete Monteiro