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segunda, 23 de novembro de 2009, às 18h 24min

O mineiro é um trem danado de bão

Janete Monteiro
Igrejinha da Pampulha
Em viagem a Minas, descobri que Belo Horizonte é muito mais que um bela vista no horizonte. Na visita ao mirante da cidade, localizada na praça do papa, tem-se uma visão panorâmica e privilegiada da capital mineira( Tive essa visão à noite e o efeito é espetacular), visitei a Lagoa da Pampulha, a Igreja São José e percorri a pé um bom trecho do coração da cidade: a avenida Afonso Pena. Mas, apesar de tudo isso, o melhor de BH, certamente, é o mineiro. Uma gente alegre, simpática e, sobretudo, prestativa, que deixa seus afazeres para servi-lo em qualquer situação.

Eh, gente boa, sô! Fui ciceroneada por pessoas super simpáticas que não me conheciam pessoalmente, mas me receberam como se fôssemos amigos de longa data. Saímos no primeiro dia, eu e Silvia - minha anfitriã, passeando pela cidade, conhecendo pontos famosos como o Barro Preto e o Mercado Central da cidade. No táxi de volta, para nossa surpresa, o motorista era um cantor e já foi logo apresentando seu trabalho e, nos surpreendendo com uma palhinha dentro do táxi mesmo. A música não era nenhum primor, mas foi divertido e sua atenção me conquistou. A letra da música retratava o orgulho de ser mineiro e a beleza da chamada “estrada real”, que passa por Ouropreto-Sabará-Mariana-São João Del Rey-Tiradentes. Uma gracinha! Claro que acabei comprando um CD.

À noite, os meus anfitriões foram Bernadete (a Berná, irmã de Silvia), seu marido Chico, e os filhos do casal: o esperto Filipe e a doce Clarisse, que me levaram para passear e mostrar a cidade, já toda enfeitada pelas luzes de natal. No dia seguinte, eu, acompanhada por Berná e Chico, fui conhecer o verdadeiro boteco mineiro: o lugar chamava-se Via Cristina, um bar e Cachaçaria que faz sucesso na noite belo horizontina, desde 1989. Uma ma-ra-vi-lha! Mas o melhor estava por vir. O Via Cristina participou e obteve boa colocação no Festival “comida de boteco” de 2004 e 2005 com o prato formado por farofa de torremos, mandioca frita e um filé ao ponto, fatiado. Ô trem bão, gente! Falei pro dono do boteco que tinha alguma coisa errada com a comissão julgadora pois aquele prato não tinha como não ser 1º lugar do concurso. Pra mim, oh, nota 10. Ele sorriu agradecido.

Na segunda-feira, como era dia de semana, ou “dia de branco”, os novos amigos não puderam continuar me acompanhando no roteiro turístico e resolvi me aventurar sozinha pela capital mineira.

Escolhi sair de ônibus para conhecer melhor os nativos e observar com mais atenção os locais. Tomei um ônibus na rua Afonso Pena. Fui até o ponto acompanhada pela Lúcia, uma simpática jovem secretária da casa em que eu estava hospedada, e que fez questão de me colocar no transporte e me recomendar ao motorista: parecia que eu era uma criança. No início achei engraçado, depois fui percebendo que era costume mineiro as boas recomendações.

O meu destino era a Igrejinha da Pampulha, obra famosa de Niemeyer. Ao indagar uma passageira sobre o local exato da descida, ela prontamente, entre muitos “uia sô”, foi falando da cidade, me dando dicas e indicando o ponto exato em que deveria descer.

Ao chegar ao monumento, como todo turista, queria fotos. E como estava sozinha tive que pedir para algumas das pessoas próximas que fizessem a foto ao lado do jardim de Burle Max, localizado em frente à Igrejinha. Nesta interação, conheci um grupo de nordestinos de alma totalmente mineira (alguns moram em BH há muito tempo) que após fazer uma série de fotos minhas me ofereceram para me deixar num ponto de ônibus mais próximo daquele que eu precisava ir. Aceite de pronto e aí formou-se uma amizade com Marcos, Karla e outros mais. Eles foram nota 10.

Descobri com eles a beleza do Mineirão, do Mineirinho e passeamos pelas ruas da UFMG. Um conjunto de prédios arrojados cheio de gente jovem e bonita. Lá, me despedi do grupo e me embrenhei em outro ônibus, (que passava pela Avenida Antônio Carlos) orientada por um dos estudantes que estava na parada. Era hora do almoço e a lotação estava daquele jeito. No trajeto, um rapaz, aluno do curso de engenharia elétrica, disse que eu ia descer no centro, próximo à rua Espírito Santo. Educadamente, claro, tratou de me recomendar a uma colega do curso de Biologia, que estava sentada ao lado, e que ira descer na mesma parada que a minha. Ela, com um largo sorriso, me ajudou prontamente. Com a atenção de tanta gente, não tive dúvidas: o melhor de BH era o mineiro.

O percurso de volta durou uns 25 minutos e de lá foi fácil e divertido chegar ao local onde eu estava hospedada e onde, para minha felicidade, me esperava um dos meus pratos preferidos e representativos da culinária mineira: frango com quiabo e angu. Foi um prazer gastronômico inenarrável. Exagerei tanto que, no dia seguinte, no café da manhã, só consegui tomar suco de limão.

Olha pessoal, após sentir e conhecer um pouco das Minas Gerais só posso encerrar esse meu diário de viagem com nota acima de 10 para BH e, para os mineirinhos de nascença e de coração: nota 1000.


 

Autor: Janete Monteiro

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