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segunda, 23 de novembro de 2009, às 21h 39min

Noronha em minha vida

Maria Arienar
Morro dois Irmãos
Mês que vem faz dois anos da minha primeira viagem para Fernando de Noronha. Digo primeira porque pretendo voltar. De lá para cá, fico sonhando e alimentando a vontade de reviver aqueles dias tranqüilos e belos. Não é à toa que dizem que Américo Vespúcio afirmou, ao descobrir o arquipélago em 1503: "O paraíso é aqui!"

Suas belezas naturais são extasiantes. O morro Dois Irmãos todo mundo conhece por foto desde pequeno. Aquela paisagem era familiar, pois figurava na capa dos nossos cadernos escolares, desde o jardim da infância. Por isso, é duplamente mágico vê-los de pertinho. Mais mágico ainda é conseguir um guia como aquele que conseguimos que eu denominei de “o talentoso” pois nos surpreendia a cada momento com fotos produzidíssimas, tipo aquelas que você parece voar, parece segurar um coco, e por aí vai. Marinheira de primeira viagem, claro, achei tudo lindo!

A pequena Vila dos Remédios é a história viva . As construções histórias preservadas fazem o principal núcleo urbano da ilha parecer um cenário de cinema. O centro histórico cresceu nos arredores da igreja de Nossa Senhora dos Remédios, construída em 1772, pelos portugueses, e tombada pelo Iphan. A vila abriga ainda a sede da administração da ilha - o Palácio de São Miguel, onde é claro todo mundo faz aquela pose para a posteridade.

Mas nem só de história vive a Ilha. O forró do Cachorro é a maior animação. Pena que não pude curti-lo de puro cansaço das andanças do dia. No entanto, conheci o Cachorrão, dono do bar que usava coleira e fazia au, au, quando o turista se aproximava dele. Primeiro a gente se assustava, claro, depois relaxava sorrindo junto com ele. Eu vivi tão intensamente aqueles dias em Noronha que as noites eram curtas demais.

Visitei o mar de dentro e o mar de fora, como chamam os guias. Bacana, hein! Fiquei repetindo comigo: mar de dentro, mar de fora... E, fui engolida pelas 7 ondas! Pensei que ia morrer não fosse me sustentar no braço forte do guia. O negócio é o seguinte: quando você vai entrar, o guia avisa do perigo, você ouve, mas.... não escuta. É isso memso. E, lá se vai mar adentro. Quando você está no maior love com o mar, elas começam. São 7 ondas seguidas. E, o pior, depois que elas começam não adianta mais querer sair. E, aí, é um deus nos acuda. O coração parece que vai sair pela boca de tanto medo de morrer. Quando o sufoco acaba, só nos resta sorrir e pensar: mais uma de Noronha pra eu contar pros meus amigos.

Um dia fizemos o percurso de carro pelo interior da Ilha e todas as praias, no outro fomos de barco ao redor da Ilha, olhando aquele relevo exuberante. No terceiro dia, foi a vez do gostoso banho na praia no Sueste, ou Baía do Sueste, única permitida para banho naquela época do ano. Era dezembro de 2007. Uma nativa, que se aproximou do nosso grupo, ainda avisou. - Não se assustem se aparecer um tubarão. E, era verdade. Os tubarões que andam pela Baía do Sueste estão sempre de barriga cheia.

Minha mãe adorou e não queria sair da água por nada, só teve medo de fazer o banho de snorkel que dizem,( e eu concordo) é o mais prazeroso de todos. O guia te orienta a usá-lo e mergulha junto com você, segurando pela mão. De olhos bem abertos o turista observa o fundo do mar com seus peixes e plantas multicores. É um passeio sensacional.

O arquipélago abriga centenas de espécies de fauna e flora, protegidas pelo Parque Nacional Marinho, criado em 1988 e administrado pelo IBAMA.Mas não é só por isso que o local é encantador. Os nomes dos pontos turísticos são um destaque a parte: farol da Sapata, buraco da Raquel e costa da Esmeralda. Contam que o buraco da Raquel recebeu este nome porque Raquel era a filha de um comandante que fugia para o local com um amante a cada dia, nas horas em que a maré baixava. E quem vai saber né?

Localizado em pleno Oceano Atlântico, a mais de 500 quilômetros da costa brasileira, o arquipélago com suas 21 Ilhas, pertence ao governo do Estado de Pernambuco que mantém um rigoroso controle de visitantes e cobra, pela permanência em terra, uma taxa de Preservação Ambiental, que é calculada de acordo com o número de dias de estada. Assim, Noronha consegue conciliar a conservação da sua biodiversidade com a exploração sustentável do turismo, hoje a principal fonte de renda local.

Muitas pousadas da ilha funcionam nas residências dos moradores. Assim, você pode compartilhar os dias com os nativos e ter um conhecimento maior da vida no local.

Ah! que delícia viver um pouquinho a vida tranqüila daqueles brasileiros. Saudosamente, volta e meia lembro da viagem, do quanto é bonito o trabalho de preservação por lá. E uma coisa é certa: Quero voltar para ver novamente a vista da praia do Boldró, uma das mais lindas do mundo; e até brincar com as centenas de mabuias - réptil parecido como uma lagartixa que está em todos os lugares: no quarto, na sala, no bar, na praia. No início você tem receio, depois se acostuma e acaba se afeiçoando ao bicho e tirando fotos com ele.

Com tanta exuberância natural, é difícil acreditar, como dizem, que Fernão de Noronha, comerciante português que financiou a expedição de Américo Vespúcio, e que depois recebeu o arquipélago da coroa portuguesa como pagamento, nunca pisou no local que até hoje carrega seu nome. Pior! Ele não sabe o que perdeu.

 

Autor: Janete Monteiro

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