Conhecer São Luís é muito mais que ir às ruas, shoppings, feiras, casas históricas, ou prédios centenários. Conhecer o verdadeiro maranhense é curtir uma apresentação do bumba-meu-boi e dançar num salão de reggae. O Boi eu já conhecia bem, mas o reggae...
Estive na capital maranhense diversas vezes, mas não havia tido a satisfação de sentir o clima de uma casa de reggae, dança que se impõe entre as animadas manifestações culturais da região e compete com o bumba-meu-boi em popularidade e lazer para multidões. O curioso é que existe até o Dia Municipal do Regueiro: 5 de setembro.
Então resolvi conhecer, acompanhada de um grupo de amigos jornalistas o bar Chama Maré. Agora, pense num lugar animado! Em volta, muitas barracas e o genuíno som do reggae. Fachada simples, porta pequenina que para o “cabôco” passar tem que se abaixar. Essa era a frente do bar Chama Maré, um tradicional ponto de reggae da capital ludovicence. Lá dentro não havia paredes e apenas os coqueiros nos separavam da imensidão do mar. Uma brisa suave sacodia os cabelos dos passistas que dançavam agarradinhos no salão a meia luz. Tudo muito provocador, caliente como só o maranhense sabe ser.
No salão, vi que a dança era no ritmo do dois-pra-lá, dois pra-cá e só depois fiquei sabendo que na verdade, houve uma adaptação entre o forró e o reggae, surgindo a nova dança. Para atrapalhar a conversa ao pé do ouvido, só mesmo o volume altíssimo do som que cercam os galpões e salões.
Para completar a noite, fiquei esperando os sucessos locais porque Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer são mais lembrados na seção saudade, guardada para o final dos bailes. Quem anima mesmo as radiolas são bandas regionais, como Miragem, Guethos e Reprise. E nunca é demais lembrar que a mais conhecida banda de reggae do país, a Tribo de Jah, começou em São Luís, capital conhecida hoje como a Jamaica Brasileira porque cultiva, curte e embala, neste ritmo, a galera de todas as idades.
Autor: Janete Monteiro